terça-feira, 21 de maio de 2019

A criação de gado e a construção dos canais na antiga Fazenda de Santa Cruz

Manoela da Silva Pedroza


"Tem-se notícia de gado nos pastos já em 1610. Em 1614 já nasciam, por ano, mil e quinhentas cabeças. Em 1621 já existia o arraial, sede da fazenda. Nestes anos foi preciso secar os chamados “Campos de Guaratiba” e construir os currais. Para tanto, os padres abriram uma vala larga e profunda com quase 14 quilômetros de extensão, para combater enchentes, drenar os campos, servir de bebedouro ao gado e canal para embarcações: a “Vala dos Padres”, mais tarde conhecida como Canal do Itá. Em seguida, construíram o Canal de São Francisco, com dez quilômetros de extensão, a Vala da Goiaba, a Vala do Cação Vermelho e a Vala do Piloto. Outras valas e pequenos canais foram abertos mais tarde. Os padres envolveram os índios aldeados na construção de diques de terra (o mais extenso sendo a “Taipa Grande”, com sete construíram o Canal de São Francisco, com dez quilômetros de extensão, a Vala da Goiaba, a Vala do Cação Vermelho e a Vala do Piloto. Outras valas e pequenos canais foram abertos mais tarde. Os padres envolveram os índios aldeados na construção de diques de terra (o mais extenso sendo a “Taipa Grande”, com sete quilômetros, e depois a “Taipa do Frutuoso”, com mil e seiscentos metros) e um sistema de comportas e óculos, para prevenir o alagamento dos campos na época de cheia dos rios Itaguaí e Guandu ou, nos tempos de enchente, liberarem a água retida. Os padres mandaram fazer também a abertura do ‘caminho dos jesuítas’, ligando a Fazenda à de São Cristóvão, mais tarde chamado ‘caminho das minas’ e, depois, ‘estrada real de Santa Cruz’. Todas estas obras foram executadas pela mão-de-obra indígena aldeada e já estavam concluídas em 1640, criando vastíssimos campos bastante apropriados para a criação de gado e, portanto, sua toponímia passou a “Fazenda dos Corraes”.  

A partir da segunda metade do século XVII, a Fazenda se concentrou na criação de rebanhos e pastos, e no seu aumento, em quantidade e qualidade. Padre Antônio Forte, reitor do colégio do Rio em meados dos seiscentos, era da opinião de que todo o gado que a Companhia criava na capitania do Rio de Janeiro deveria ser concentrado na Fazenda de Santa Cruz, que as outras fazendas deveriam ser vendidas e que o dinheiro deveria ser aplicado na melhoria desta. Assim o fizeram. Construíram valas e taipas, secaram os campos, construíram cerca de trinta currais, implantaram novas forragens, retiraram ervas daninhas (pelas mãos das crianças escravizadas). Os padres tinham sessenta escravos campeiros e mais tantos outros curraleiros, especializados em juntar, proteger, guardar, ferrar, contar e tratar do gado, dispensando inclusive um tosco atendimento veterinário. Essas atividades mostram o empenho dos jesuítas em realmente montarem um enorme e lucrativo complexo criatório nas terras de Santa Cruz, movido pela população escravizada.  

Deu certo. A Fazenda, já em 1641, provinha 41% da renda deste colégio, através da venda do gado. Em 1659, o reitor dizia que “com os juros, os recursos obtidos com o engenho e o curral de Santa Cruz, o aluguel de casas e a renda doada pelo Rei poder-se ia sustentar dois colégios iguais aos do Rio de Janeiro”, indicando a boa lucratividade daquele empreendimento. No final do século XVII, a Fazenda possuía 17.050 cabeças de gado distribuídas em 47 currais, além de 1800 cavalos e alguns carneiros. Isso representava um terço dos rebanhos de toda capitania. Na primeira metade do século XVIII a criação diminuiu um pouco, e se estabilizou. Em 1711, o padre jesuíta Antonil, passando pelo Rio, registrou que a Fazenda tinha quinze mil cabeças de gado, “um quarto do rebanho de toda capitania”, e que era o único lugar da cidade do Rio de Janeiro que possuía currais”. Em 1711, quando o Rio de Janeiro foi invadido pelos franceses, foi estabelecido que os jesuítas de Santa Cruz pagariam duzentos bois e cem caixas de açúcar, a título de resgate da cidade. E assim o fizeram. Em 1731, ela contava com dezoito currais. Quando os jesuítas foram expulsos, em 1759, a fazenda tinha 8.000 cabeças de gado bovino, 1.200 cavalos, 200 carneiros e alguns burros de trabalho.  

Segundo Freitas, só para o consumo da Fazenda se abatiam mil e quinhentas reses por ano. Todo mês eram distribuídas cinquenta e três reses para os pobres da localidade, até os padres franciscanos recebiam sua cota de carne mensal proveniente da Fazenda. Semanalmente era abatida uma rês, que era dividida, salgada e consumida pelos padres e hóspedes da Residência durante a semana. Em três festas por ano, algumas reses eram distribuídas entre os escravos. Mas os números de reses consumidas internamente e os hábitos de consumo alimentar “nobres” dos padres e seus convivas podem nos enganar a respeito das finalidades comerciais da criação de gado. Uma discussão entre os padres ilustra bem que não se esquecia do que era a prioridade. 

Em algum momento da década de 1730, o Reitor do colégio propôs que se fizessem laticínios – queijo e manteiga – com o leite das vacas da Fazenda, para melhor prover os residentes e o colégio, o que iniciaria, portanto, uma atividade paralela na Fazenda. A essa sugestão se opôs veementemente o Padre Pedro Fernandes, administrador à época, alegando que todo o leite deveria ser destinado exclusivamente à alimentação dos novilhos, a fim de que fosse conseguido o grande objetivo da fazenda, que era formar o maior rebanho de gado vacum do continente. A sugestão do Reitor foi abandonada, visto que a venda de gado e carne era, sem dúvida, a maior fonte de renda do Colégio do Rio de Janeiro.  

Era um ponto comum da “economia moral” jesuíta para a gestão de suas fazendas, uma ‘especialização produtiva’ com base em uma avaliação bastante racional das potencialidades de cada sítio (Fazenda de Santa Cruz para criação de gado, Fazenda de Papucaia para produção de farinha de mandioca e fazenda do Colégio para a produção de açúcar). Por isso em Santa Cruz não havia engenhos de açúcar, e sequer se podia desviar o leite dos novilhos para outros fins.  

O gado em pé e a carne verde eram comercializados em circuitos distintos, tanto para o mercado interno quanto para navios estrangeiros, das mais diversas nacionalidades. Para o mercado interno, desde o século XVII o Colégio do Rio mantinha seu próprio açougue, no centro da cidade, que, mesmo ameaçando o monopólio do açougue do Senado da Câmara, garantido pela lei da época, continuou funcionando até a expulsão dos padres. Carne e gado, com autorização expressa do governador, podiam ser vendidos também para as embarcações ancoradas na Ilha Grande. Os jesuítas abasteciam navios vindos do Sul, chamados ‘peruleiros’ que, carregados de prata peruana, paravam no Porto de Sepetiba e faziam compra do gado, efetuando o pagamento em prata. Vendiam para todas as esquadras estrangeiras que lá abarcassem. Fica patente a inserção da produção agropecuária das fazendas jesuítas nos circuitos comerciais mais amplos, num caso típico de quebra de monopólio tanto das rotas quanto dos produtos pelo colonizador português. Assim, os dados sobre a produção agropecuária, seu consumo interno, sua distribuição entre os colégios e sua posterior venda ou remessa para a Europa indicam não somente os princípios da “defesa, a catequese e a subsistência própria”, como alardeavam os padres, mas uma estratégia econômica vigente para toda a Companhia, a busca por lucros e rendas, após saciadas as necessidades de víveres internas da Companhia.  

Segundo dados apresentados por Freitas, a Fazenda rendia trinta mil cruzados anuais (doze contos de réis), que eram entregues ao Reitor do Colégio do Rio de Janeiro todo segundo dia do ano, pelo Administrador, em mãos. O montante era acompanhado de relatório detalhado de sua origem e incluía o rendimento dos arrendamentos e aforamentos de terras e do aluguel de pastos, dados que nos indicam que o rentismo já existia, desde o tempo dos jesuítas, e que também contribuía, efetivamente, para o aumento dos rendimentos da Companhia. Na gestão do Padre Pedro Fernandes, este entregava apenas doze mil cruzados ao Reitor, em compensação, levava in natura o gado que seria consumido pelo Colégio ao longo do ano: quinhentas reses. Presume-se que o dinheiro “das coisas nela vendidas”, sobretudo do gado, era remetido a Lisboa. Com isso, o Colégio do Rio era considerado “o mais desafogado da província do Brasil”, e podia mesmo contribuir para outros colégios e prédios da Companhia. 

O enriquecimento possível através de tamanha estrutura produtiva ficava patente nas obras e benfeitorias deixadas pelos jesuítas, em parte utilitárias, em parte elemento de ostentação da riqueza da própria Ordem, para os que passassem pela Fazenda. Em 1751 a Igreja estava plenamente concluída, com vinte e cinco metros de comprimento do corpo central, com todas as paredes internas cobertas de painéis de azulejos e ricos objetos de culto “todos de ouro, prata e pedras preciosas”. Em 1752, foi inaugurada a “Ponte dos Jesuítas”, em pedra de cantaria, que era de fato uma represa, com quatro óculos por onde passavam as águas do Rio Guandu. No momento de sua expulsão, em 1759, os jesuítas estavam construindo um imenso templo, “destinado a ser o maior do continente”, com cripta anexa para jazigo dos padres. 

A sede da Fazenda era formada por um bloco principal que unia igreja e convento, o “Convento dos Padres”, e outros pequenos prédios, formando um conjunto arquitetônico amplo e organizado, também reformado em meados do século XVIII. No Convento, com dois pavimentos e claustro central, havia trinta e seis celas individuais e ainda uma hospedaria, podendo alojar cerca de cinquenta pessoas. A residência também tinha por finalidade acolher os missionários das aldeias, estudantes, mestres e irmãos graduados em suas férias anuais, para seu “merecido repouso”. Ela também hospedou bispos, governadores e ministros com todo o conforto possível na época."

Manoela da Silva Pedroza é Historiadora.
Doutora em História pela Universidade Federal Fluminense, autora da tese "Capítulos para uma história social da propriedade da terra na América Portuguesa. O caso dos aforamentos na Fazenda de Santa Cruz (Capitania do Rio de Janeiro, 1600-1870)".

Fonte do Texto: Trechos extraídos da tese "Capítulos para uma história social da propriedade da terra na América Portuguesa. O caso dos aforamentos na Fazenda de Santa Cruz (Capitania do Rio de Janeiro, 1600-1870)". UFF, Niterói, 2018. Páginas 152 à 156.

Legenda e Fonte da Imagem: Carvalho, Delgado. Chorographia do districto federal. Rio de Janeiro: Livraria Francisco Alves, 1926. Retirada da página 152 da tese da autora, Manoela da Silva Pedroza.

segunda-feira, 13 de maio de 2019

A Abolição da Escravidão em Santa Cruz

João Corrêa


O dia 13 de maio de 1888 é uma data emblemática para a sociedade brasileira. É um marco na história do Brasil, na qual o país deixava de ser uma nação escravocrata.  Mas para os escravos da Imperial Fazenda de Santa Cruz, este processo histórico foi um pouco diferente.

Os escravos da Fazenda de Santa Cruz foram libertos pela Lei do Ventre Livre de 1871. Esta lei além de conceder a liberdade aos filhos de escravas que nascessem a partir daquela data, também abrangia os escravos da nação.

Escravo da nação era o nome dado aos escravos que estavam em usufruto do império brasileiro. Estes escravos eram empregados em diversos estabelecimentos públicos do império, na qual eram utilizados em serviços de diversas magnitudes.  Como exemplo podemos citar órgãos como: Fábrica de pólvora; Arsenal de Marinha; Fazenda Piauí e principalmente a Imperial Fazenda de Santa Cruz, onde tinha o maior quantitativo de escravos.

A Fazenda de Santa Cruz nos seus momentos áureos chegou a ter uma escravaria de 3 mil escravos. No ano de 1871, segundo documentação pesquisada, foram libertos pelo império brasileiro em torno de 1200 escravos. Após este período a vida dos libertos se tornou muito difícil, para aqueles que tentaram de alguma forma permanecer na sede da Fazenda ou nos arredores.

Verificamos que muitos libertos se dirigiram para outras regiões, mas segundo as documentações pesquisadas não sabemos os destinos destes. Os que aqui permaneceram, sofreram com as diversas retaliações vindas dos administradores da Fazenda, que em certa medida dificultava a vida dos libertos nas imediações de santa Cruz.  Constatamos que os libertos sofreram com a concorrência da mão de obra imigrante que estavam chegando para região, isso se mostra evidente nos jornais da época, na qual mostra conflitos envolvendo libertos, imigrantes e moradores locais.

Percebe-se que os libertos somem dos registros oficiais, na qual se torna muito difícil buscar encontrar indícios deles e como eles buscaram formas de sobrevivência para esta nova fase de suas vidas. Neste hiato de tempo entre 1871 a 1891, encontramos poucas informações sobre a atuação dos libertos, somente informações que versavam sobre os conflitos entre libertos e demais moradores. No ano de 1891, encontramos uma ordem de despejo por parte do ministro da Economia, na qual determinava a expulsão dos libertos das antigas senzalas da Fazenda, segundo matéria do jornal ainda residiam em Santa Cruz em torno de 600 libertos.

Vale apontar que os libertos de Santa Cruz ficaram à mercê da sociedade da época, ficaram sem terras, emprego, moradia, sofrendo retaliações pela administração da Fazenda, concorrência na procura de um emprego e principalmente a expansão urbana que Santa Cruz estava sofrendo, não dando espaço para os libertos permanecerem no local que suas gerações viveram por mais de 300 anos.

A situação dos libertos de Santa Cruz é um tema que precisa ser mais aprofundado para compreendermos o destino destas famílias e também para entendermos como se deu este processo pós abolição na região. Mas até agora podemos concluir que de modo algum foi um processo benéfico para os negros libertos.

João Batista Corrêa é Historiador.
Graduado e Mestre em História pela Universidade Salgado de Oliveira (UNIVERSO), é autor do livro "Escravidão e Liberdade na Imperial Fazenda de Santa Cruz (1856-1891)", que pode ser adquirido pela Editora Multifoco no link:

Contatos:


E-mail: jobacorrea@gmail.com

Legenda e Fonte da Imagem: 
Escravos negros trabalhando numa plantação de café (c. 1860-1888), disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/amp/brasil-44091474 , acesso em 13/05/2019.

segunda-feira, 6 de maio de 2019

O abandono da Ponte dos Jesuítas


Reportagem sobre o abandono da Ponte dos Jesuítas exibida no dia 06/05/2019. Exibida no  Programa Bom Dia Rio. Esperamos que as devidas providências sejam tomadas.

domingo, 21 de abril de 2019

Funcionamento e bens da Fazenda dos Jesuítas



Para a época em que os jesuítas, ocuparam sua fazenda, tudo ainda era muito difícil, é preciso que se entenda. Pois quase tudo que se usava, vinha da Europa de encomenda.

Pelo que os jesuítas conseguiram, Em sua fazenda desenvolver, Revela a grande capacidade, Que eles tinham em resolver, Os seus problemas básicos, Para garantir um farto viver.

A Fazenda dos Jesuítas, Era um complexo agrícola-industrial, Ali eles faziam de tudo, Era um movimento colossal, Da Olaria ao Estaleiro, Do plantio a criação do animal.

Vamos neste livreto descrever, Fatos na verdade reais, Ocorridos no ano de 1742, E que estão nos anais, Um inventário então feito, Ainda em épocas coloniais.

Em 1658 as pequenas povoações, Que na Fazenda iam surgindo, Eram chamadas de Currais, E iam então evoluindo, Pagando um foro anual, Coisa que todos iam assumindo.

Nessa época na Fazenda, Existiam 18 Currais, Além do Curral dos Índios, Todos com vida normais, Alguns ainda hoje tem, Os nomes originais.

Curral Falso, Todos os Santos, São João, São Luiz, São Barnabé, Cruz, Casa, São Marcos, São Paulo, São Boaventura, , São Francisco, São José, São Estevam, São Inácio, São Pedro, Nossa Senhora, os Currais tinham muita fé.

O foro anual por Curral, Para o dos Índios 3 Galinhas, Para os demais eram quatro, Contanto que fossem gordinhas, Só depois passou a Seis aves, Isso após muitas ladainhas.

Esse foro era uma compensação, Por lavrarem em terras da Fazenda, Pela criação do gado, Por usarem lenha e moenda, Era uma insignificância, Para quem já tinha alguma renda.

Depois o foro foi mudado, para quatro dobras anuais, A dobra era uma moeda portuguesa, Ainda dos tempos coloniais, Que passou a substituir as Galinhas, Nos pagamentos normais.

Em 1742, a Fazenda de Santa Cruz, Fez um inventário geral, De todos os seus bens, De forma muito real, Que hoje nos dá ideia clara, Do seu grande potencial.

No balanço de animais encontrava-se, 1658 cabeças de bovinos, 1140 cabeças ao todo, Era a quantidade de equinos, Apenas duzentas cabeças, Era a quantidade de ovinos.

Existiam 700 servos, Para os serviços gerais, Todos tinham tarefas, Algumas até especiais, Primavam pela organização, Embora com métodos feudais.

Alguns eram responsáveis, Pelo pastoreio dos animais, Outros amansadores de burros, Para valorização comercial, Outros nas oficinas da Fazenda, Para os trabalhos especiais.

O Jesuíta estudava com cuidado, De cada servo sua vocação, Para fazer o aproveitamento, Com bastante planificação, Para tirar de cada um, O máximo de produção.

As mulheres com seu trabalho, É que garantiam a fartura, Lidavam apenas com a terra, Desenvolvendo a agricultura, Na Fazenda colhia-se de tudo, De forma muito segura.

A Fazenda de Santa Cruz, Era uma perfeita povoação, Pois alí, havia de tudo, Dando a todos satisfação, Era uma vida civilizada, Obedecendo boa planificação.

Para a época era a Fazenda, Um estabelecimento moderno, Complexo Agrícola Industrial, Com grande movimento interno, Enfrentando as estações do ano, Da Primavera ao inverno.

Tinha uma Bela Igreja, Grande residência sobradada, Hospedaria e um Hospital, Uma escola para a gurizada, Também para catequese, Com educação bem formada.

Na Fazenda tinha Cadeia, Para a pessoa abusada, Tinha várias oficinas, Também a de prata lavrada, Ferraria e Tecelagem, E Carpintaria bem montada.

Tinha também uma Olaria, Assim como a casa de Cal, Também a casa de Farinha, Uma coisa primordial, Casa da descasca de Arroz, Tudo com base comercial.

Existia a casa do Cortume, A Engenhoca de Aguardente, A usina de Açúcar em construção, Com maquinário já assente, E um indispensável estaleiro, Com um trabalho inteligente.

No Estaleiro se fabricava, Canoas para navegação, Também grandes Sumaças, Feitas alí com precisão, Todas servindo a Fazenda, No transporte da produção.

Existiam Roças de Mandioca, De milho, também de Feijão, Plantava-se muita verdura, Muito Arroz, Cana e Algodão, Alí encontrava-se de tudo, Era bem variada a plantação.

A Igreja tinha três Altares, Ela e a Sacristia eram azulejadas, A Pia Batismal de Pedra do Reino, Obras muito bem acabadas, Na Sacristia uma linda Arca, Com muitas coisas guardadas.

A Arca tinha 42 Gavetas, Era uma peça indispensável, Guardavam nelas os Ornamentos, De toda vida sociável, Paramentos, Toalhas etc, Era uma peça notável.

A Igreja era Completa, Com Retábulo e Painéis, Imagens, e lindo Presépio, Livros e muitos papéis, Nada de ouro, só muita Prata, E muita devoção dos fiéis.

O Hospital que existia, Para atender a servidão, Era de paredes de tijolos, Com uma vasta repartição, Com cobertura de telhas, A pintura era de caiação.

Para os Padres existia, Uma enfermaria privativa, Para qualquer necessidade, Numa doença relativa, Onde o enfermo permanecia, Durante a fase corretiva.

Fora dessa enfermaria, Havia duas salas separadas, Uma para cada sexo, Onde os enfermos eram tratados, Anexo havia pavilhões, Para epidemias mais ousadas.

Tinham alí uma Biblioteca, Com livros especiais, Sobre Medicina e Cirurgia, Para a época muito atuais, Nos quais eles se apoiavam, Para emergências normais.

A Festa titular da Igreja, Assim como do lugar, Era a Exaltação da Santa Cruz, Festa de fato bem popular, A todo 14 de Setembro, Ela tinha que se realizar.

Para finalizar a festa, Era feita linda procissão, Com todas as Confrarias, Que disso faziam questão, Com o Hino, Te-Deu Landa-mus, Encerrava-se a programação.

Os Jesuítas em sua modéstia, E pelo princípio de economia, Em 1717, foram criticados, Pelo Conde Assumar e companhia, Por ter passado pela Fazenda, E não ter encontrado mordomia.

Não é que os Jesuítas, Não soubessem as visitas honrar, Eram bons e inteligentes, Mas todos viviam a trabalhar, Não sabiam era fazer distinções, A quem os estava a visitar.

Suas louças não eram ricas, Eram comuns e vidradas, De Estanho, Latão ou Cobre, Elas eram fabricadas, E nas visitas e festividades, Elas eram sempre usadas.

Com o tempo os Jesuítas, Adquiriram da China, Um aparelho de Chá e Chocolate, Para eles coisa granfina, E da Índia uma Baixela, Matizada de Ouro Fino.

E assim os Jesuítas, Procuraram se equipar, Para atender visitas ilustres, Quando os fosse visitar, Sem fugirem a seus princípios, Os quais tudo faziam para preservar.

As grandes obras dos Jesuítas, De Engenharia Hidráulica, Para aquela época secular, Era mesmo coisa fantástica, Dando fim as inundações, Com a técnica programática.

Em sua Fazenda os Jesuítas, Deram exemplos de muito amor, No trabalho com a terra, Onde houve muito explendor, Também nos métodos de catequese, E como o grande construtor.

Fonte do texto: "Funcionamento e Bens da Fazenda dos Jesuítas em Santa Cruz". GONÇALVES, José Roque Mareira, Río de Janeiro, 1989. Livro de Literatura de Cordel baseado na obra de FREITAS, Benedicto de. Volumes I e II, Rio de Janeiro, 1985-1987. In Biblioteca do NOPH.

Texto editado e postado neste blog por Adinalzir Pereira Lamego.

terça-feira, 16 de abril de 2019

Eram os Jesuítas de Santa Cruz "homens à frente do seu tempo"?



Eram os Jesuítas de Santa Cruz "homens à frente do seu tempo"?

Não. Apesar de certa historiografia ter evidenciado com justiça a grande capacidade produtiva jesuítica na América, inclusive em Santa Cruz, fica evidente pela análise documental a adequação dessa produção às necessidades e possibilidades de seu tempo.

Dentre os diversos aspectos que podem ser verificados na administração desses religiosos à frente da Fazenda de Santa Cruz, não foram visualizados avanços técnicos e tecnológicos diferentes daqueles da época.

Principalmente, é notoria a solução tradicional para o problema crônico de escassez de mão-de-obra da Colônia, qual seja, um sofisticado sistema de escravização pura e simples do negro africano que envolvia coerção e negociação, sendo inclusive usado como modelo por administrações posteriores, e a utilização da mão-de-obra indígena, dentre outras formas de trabalho compulsório, elementos totalmentes coerentes com a lógica do Antigo Regime português nestas terras.

Assim, os jesuítas de Santa Cruz, em nossa interpretação, eram "homens de seu tempo"; não, como querem alguns, mais abertos às novidades técnicas. Na verdade, pensamos melhor vê-los como abertos à realidade e às possibilidades produtivas dela.


Fonte: Cf. MENESES, J. N. C. Se perpetue a Companhia nessas partes: materialidade da Fazenda de Santa Cruz no tempo da expulsão dos jesuítas. In: ENGEMANN, C. & AMANTINO, M. Santa Cruz: de legado dos jesuítas a pérola da Coroa. Rio de Janeiro - RJ: EDUERJ, 2013, p. 93, editado.

Legenda da Imagem: Vista Lateral da Ponte dos Jesuítas. Disponível em

quarta-feira, 10 de abril de 2019

A Primeira Rebelião de Escravos em Santa Cruz



Em maio de 1796, ocorreu a primeira revolta dos escravos de Santa Cruz de que se tem notícia.

Durante muitos anos, a Fazenda de Santa Cruz foi símbolo do poder dos jesuítas em terras fluminenses, mas tornou-se também marca de uma administração competente e um espaço de conhecimento agrário e hidráulico por parte deles.

No que diz respeito ao controle da extensa escravaria que a Fazenda possuía, a documentação da época dá conta de que, no, tempo da gestão dos padres, os escravos da fazenda viviam sossegados e sob o controle de seus senhores religiosos.

De fato, num levantamento realizado em 1759, realmente não aparecem escravos identificados como fugidos ou ausentes sem explicação.

Mas com o passar do tempo e substituição dos padres por administradores não religiosos, a situação dos escravos mudou bastante.

Foi assim que, em 1796, Manoel Martins do Couto Reis, um de seus mais importantes administradores, deu conta ao rei de que os escravos estavam insubmissos, recusavam-se ao trabalho, fugiam para os matos, roubavam a fazenda e outros senhores locais; haviam se transformado em "insuportáveis pelos seua terrebilíssimos desmandos".

Ainda segundo Couto Reis, depois de passarem meses "vadiando" nas matas, voltavam doentes e apadrinhados ou capturados pelos capitães do mato para "curar moléstias no hospital e acrescentar despesas".

Assim, a solução proposta pelo administrador foi vender os incorrigíveis para bem longe e, com o dinheiro arrecadado, comprar africanos, "trabalhadores mais robustos, mais sujeitos, mais fiéis e capazes de uma doutrina nova".

Contudo a situação não melhorou e, em maio do mesmo ano, os escravos da fazenda se rebelaram.

Para reprimir os revoltosos, o vice-rei Conde de Azambuja, por meio de uma portaria, autorizou a criação de uma milícia para atacar os escravos, com ordem, inclusive, de matar os que resistissem, debelando, assim, a rebelião.

*Obs: palavras entre "aspas" representam o vocabulário e juízo de valor da época. Não representam a opinião do NOPH.

Fonte do texto: AMANTINO, M. & COUTO, R. De "curral dos padres" à gigantesca Fazenda de Santa Cruz. In: ENGEMANN, C. & AMANTINO, M. Santa Cruz: de legado dos jesuítas a pérola da Coroa. Rio de Janeiro - RJ: EDUERJ, 2013, p. 39-40, editado.

Legenda e Fonte da Imagem: Revolta Escrava não identificada. Disponível em:
http://ametamorfose1984.blogspot.com/2014/04/rebeliao-escrava-no-brasil-historia-do.html?m=1 , acesso em 10/04/2019

sábado, 6 de abril de 2019

Sepetiba fazia parte da Fazenda Real, a Joia da Capitania



Banhado pela baía de mesmo nome, o bairro de Sepetiba, no extremo oeste do Rio de Janeiro, possui cerca de 40 mil habitantes e um dos piores índices de desenvolvimento social – IDS – do município, segundo o Instituto Municipal de Urbanismo Pereira Passos. O IDS leva em conta o acesso dos moradores a saneamento básico, qualidade habitacional, grau de escolaridade e renda.

Lugar privilegiado pela natureza, de beleza ímpar, separado do Oceano Atlântico pela delgada Restinga da Marambaia, sofre atualmente - tanto pelo aspecto social quanto pelo econômico - com a poluição de suas praias, já que a pesca e o turismo, atividades básicas de sobrevivência local, estão comprometidas.

O bairro possui grande relevância histórica. Estudos de pesquisadores da Uerj e da UFRRJ atestam que há registros pré-históricos de ocupação indígena no litoral da Baía de Sepetiba. Foram encontrados 34 sambaquis, ou seja, depósitos de materiais orgânicos e calcários empilhados ao longo do tempo, que serviam, entre outras finalidades, para identificar o grupo indígena que habitava a região. Os sambaquis continham conchas, lâminas de quartzo, pedras de amolar, machado e fragmentos de ossos.

Os índios tamoios deram nome à localidade ao notarem que havia muito sapê na região, e a chamaram de çape-tyba, ou sítio dos sapês – vegetação nativa. A palavra tupi foi aportuguesada pelos jesuítas, tornando-se Sepetiba.

Companhia de Jesus

No período colonial, Sepetiba fazia parte da gigantesca Fazenda de Santa Cruz, pertencente aos jesuítas e conhecida como a Joia da Capitania. A propriedade, de 1.167 km², estendia-se até Vassouras. Havia pecuária, produção de açúcar, arroz, feijão, mandioca, anil, fumo, algodão, legumes, frutas, cacau e café, entre outros. E também manufaturas: olaria, ferraria, carpintaria, serraria, fábricas de cerâmica, de canoas, de móveis e de artigos de couro, estaleiro, ourivesaria, prateiros, tecelagem, forno de cal, casa de farinha, engenhos. A propriedade ainda possuía hospital, botica (espécie de farmácia), senzalas e armazéns. Ou seja, era um grande centro agrário-fabril, autônomo, cujo excedente de produtos era escoado tanto em direção à corte quanto para outros engenhos próximos.

A porção da fazenda onde hoje se situa o bairro de Sepetiba, junto à faixa litorânea, era dividida em arrendamentos. Em 1729, contava-se 26 arrendatários. Entre eles, os índios, que pagavam a título de foro, anualmente, três galinhas, e os demais foreiros, quatro. Posteriormente, esse valor foi substituído por meia dobra (antiga moeda portuguesa). Deste modo, os jesuítas garantiam o controle da região do porto que havia em frente à Ilha da Madeira.

Do porto da Fazenda de Santa Cruz seguiam víveres para a Companhia de Jesus – 500 bois anuais, verduras, legumes e açúcar –, cujo ancoradouro ficava na Praia Dom Manuel (que não existe mais), no canto da Praça Quinze.

Palácio de veraneio Real

Em 31 de agosto de 1808, o então príncipe regente Dom João, por meio de decreto, subordinou a administração da Fazenda de Santa Cruz à Casa Real. A partir daí, a residência dos jesuítas transformou-se em palácio de veraneio real, houve melhoramentos na estrada que a ligava à Quinta da Boa Vista e foram construídas as pontes de Piraquara, Bangu e Cabuçu.

Ergueram-se três fortes equipados com baterias de canhões para garantir a segurança da família real: o de São Pedro (guardava as praias de Sepetiba e as ilhas da Pescaria e do Tatu), o de São Paulo (praias de Sepetiba e Piahy) e o de São Leopoldo (no Morro de Sepetiba). Nenhum deles sobreviveu ao tempo.

Em 26 de julho de 1813, Dom João VI, novamente por meio de decreto, fez de Sepetiba um povoado, delimitando sua área e doando as terras aos pescadores e lavradores, inicialmente, formando oito sítios. Durante a República, chegaram habitantes de outras localidades para se fixar nas praias da região, em casas rústicas de telhados de sapê. Desde então, a principal atividade econômica do local é a pesca.

Sepetiba hoje

Atualmente, os pescadores precisam se afastar cada vez mais do litoral para garantir o produto, pois as praias do bairro – Sepetiba (2,6 km), do Cardo (pouco mais de 2 km) e de Dona Luiza ou do Recôncavo (1km) – estão poluídas, justamente por estarem localizadas no fundo da baía, a parte mais assoreada. E não é qualquer tipo de sedimento. Segundo estudo de Julio Cesar Wasserman, coordenador da Rede de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da UFF, há elevada concentração de zinco e cádmio, metais pesados, potencialmente maléficos à saúde humana.

A poluição da Baía de Sepetiba está diretamente relacionada com a água dos rios que deságuam nela, como é o caso do Rio Guandu, trazendo em grande escala esgotos sanitários, resíduos sólidos e despejos industriais sem tratamento adequado.

O Movimento Ecomuseu de Sepetiba busca unir a comunidade local para resistir à degradação do bairro frente às dificuldades. Além da poluição, os moradores convivem com poucas linhas de ônibus, que funcionam em horários espaçados. O transporte é feito predominantemente por vans e kombis, que seguem em direção a Santa Cruz, Campo Grande e Bangu.

Em relação a saúde e educação, a Rua José Fernandes é fundamental, pois concentra o pronto-socorro, a Casa de Saúde República da Croácia, o posto de saúde e dois cieps: Deputado Ulysses Guimarães e Ministro Marcos Freire. Saindo dali, o bairro possui também quatro escolas municipais: Nair da Fonseca, Nelson Romero, Felipe Camarão e Júlio Cesário de Melo, além de um colégio estadual: Carlos Arnoldo Abruzzini da Fonseca.

O comércio é formado por padarias, farmácias, minimercados, um único supermercado, algumas academias de ginástica, muitos quiosques e bares. São destaques a Capela de São Pedro, de 1895, o Sepetiba Iate Clube, fundado em 1947, e o coreto de ferro com base de alvenaria da Praça Washington Luiz, tombado desde 1985, que serviu de cenário para a novela O Bem-Amado, de Dias Gomes, local onde o prefeito Odorico Paraguaçu, interpretado por Paulo Gracindo, fazia seus discursos.

Texto de Larissa Altoé

Originalmente postado na página multirio.rj.gov.br

Postado nesta página por Adinalzir Pereira Lamego - Professor e Pesquisador do NOPH

terça-feira, 2 de abril de 2019

Família Escrava e Estabilidade Social em Santa Cruz



A Fazenda de Santa Cruz contou com uma comunidade escrava bem enraizada e baseada em relações de afetividade, amizade e solidariedade bastante fortes. Lá houve famílias preservadas, possibilitando estabilidade àqueles indivíduos.

Apesar disso, os horrores daquela escravidão não devem ter sido tão abrandados: a separação de cônjuges, as instruções para o adequado castigo dos escravizados e o domínio senhorial exercido pelos jesuítas, entre outros aspectos, assim o demonstram.

Seja como for, os padres necessitavam da mão de obra dos escravizados para manter e consolidar seus empreendimentos econômicos, mas, ao que parece, também procuraram cristianizar aqueles indivíduos.

Desse modo, isso se refletiu no alto grau de famílias escravas unidas pelo casamento, o que, consequentemente, levaria a uma escravaria repleta de crianças, muitas socializadas junto de seus pais, avós, irmãos, tios, primos e padrinhos.

Enfim, o que descobrimos é que as famílias foram importantes na formação da comunidade escrava, baseada em relações de parentesco de mesmo sangue e espiritual. Foi possível também conseguir ganhos políticos, sociais e econômicos, visto que muito daquela possível constituição e estabilidade se deveu a uma negociação entre os padres e os escravos.

Fonte do texto: FREIRE, J. Legados da administração jesuítica: comunidade e família entre os cativos da Fazenda de Santa Cruz, século XVIII. In: ENGEMANN, C. & AMANTINO, M. Santa Cruz: de legado dos jesuítas a pérola da Coroa. Rio de Janeiro - RJ: EDUERJ, 2013, pp. 213-214, (editado).

Fonte da Imagem: Casamento de Negros de uma casa rica, J. B. Debret, sec. XIX. Disponível em: https://historiahoje.com/a-familia-escrava-trabalho-e-obediencia/
, acesso em 2 ABR 2019.

Texto editado por Elias Alves, Historiador do NOPH
Santa Cruz, Rio de Janeiro - RJ, 02/04/2019

Postado neste blog por Adinalzir Pereira Lamego

sábado, 30 de março de 2019

1º Encontro do Centro de Estudos de Pesquisa Acadêmica



1º Encontro do Centro de Estudos de Pesquisa Acadêmica. Realizado hoje pelo NOPH.
Foi uma excelente oportunidade para aproximar pesquisadores que têm interesses afins ao seu, visando o diálogo, a troca, o compartilhamento e o crescimento conjunto no conhecimento da rica História do bairro de Santa Cruz. Em breve outros encontros irão acontecer! Clique aqui e veja todas as fotos do evento!

Venha, participe e traga suas pesquisas! Convide também os seus amigos!

segunda-feira, 25 de março de 2019

A Fazenda de Santa Cruz e o poder político jesuíta


Legenda da Imagem: As terras da Fazenda do Curral dos Padres (século XVII)

Além de ser uma grande fonte de riqueza econômica, as terras de Santa Cruz representavam um espaço político e um poder do símbolo dos padres jesuítas na medida em que eles congregavam nelas e em torno da ordem um número avultado de escravos e índios prontos a defender seus interesses.

Só para ficar num exemplo desse poderio, esse foi o caso das desordens cometidas na região de Campos dos Goitacazes pelos índios aldeados sob a administração dos jesuítas. Em 1667, o abade dos beneditinos reclamava com o rei que havia "diferenças entre eles e os da Companhia".

O motivo das divergências eram as terras situadas no Rio Una e na ponta de Búzios. Cada um dos grupos religiosos acreditava ter direito sobre as mesmas. Tentando fazer prevalecer o seu, os jesuítas ordenaram aos índios que invadissem as terras ocupadas pelos beneditinos. Lá, os índios mataram, segundo o abade, oitocentas cabeças de gado, queimaram uma igreja, derrubaram casas e currais e destruíram roças.

O rei solicitou ao governador Dom Pedro de Mascarenhas que tomasse providências a respeito, pois a "matéria era escandalosa" por envolver religiosos. A solução proposta pelo monarca foi que o governador chamasse os principais dos índios e os admoestasse para que não tornassem a repetir o feito, sob ameaça de castigos. Para os jesuítas ou os beneditinos, não houve qualquer ameaça.

Fonte do texto: AMANTINO, M. & COUTO, R. De "curral dos padres" à gigantesca Fazenda de Santa Cruz. In: ENGEMANN, C. & AMANTINO, M. Santa Cruz: de legado dos jesuítas a pérola da Coroa. Rio de Janeiro - RJ: EDUERJ, 2013, p. 25, adaptado.

Fonte da imagem:
João Teixeira de Albernaz, fol. 25 da "Descrição de todo o marítimo da terra de Santa Cruz chamado vulgarmente, o Brasil". Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Portugal.

Texto editado por Elias Alves, Historiador do NOPH
Santa Cruz, Rio de Janeiro - RJ, 25/03/2019.

Postado neste blog por Adinalzir Pereira Lamego

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Medalha comemorativa dos 450 anos de Santa Cruz


Frente

Verso

Medalha comemorativa dos 450 anos de Santa Cruz confeccionada pelo NOPH para prestar homenagem a todos àqueles que contribuíram com relevantes serviços ao bairro e a comunidade. Esse evento foi realizado no Palacete Princesa Isabel, Centro Cultural de Santa Cruz, RJ no dia 14 de dezembro de 2017.